Não tem corredor mais longo do que o corredor do aeroporto de Heathrow para quem está chegando em Londres. Passar pela imigração em Londres é um momento de muita expectativa.

Acho que deve ser a ansiedade, aquele medo de perguntarem para você, na imigração, alguma pergunta que você possa vir a esquecer a resposta como o seu nome, por exemplo, ou o que você veio fazer aqui no país. Essa ansiedade faz com que cada passo nos corredores do aeroporto pareça uma légua de distância.

E quem era aquele povo todo que eu me deparei na primeira vez que cheguei aqui? De onde tinha saído tanta gente diferente? Tanto indiano, tanta gente de burca, de roupa esquisita, de turbante. Por alguns minutos eu cheguei a pensar que o avião da TAP tinha feito escala em outro lugar e eu havia descido no ponto errado, sei lá Egito, Arábia … Marrocos?

Eu já fui ficando meio desconfiado de que eu havia comprado gato por lebre ali mesmo. Nos livros que eu estudei inglês no Brasil todo mundo era loiro e tinha olho azul. Todas as casas tinham um jardim na frente. Ninguém tinha me alertado para essa ‘mistureba’. Mistureba não. Aqui chamam de diversidade. Mas até hoje eu me pergunto: peraí, se é diversidade porque na capital eu encontro mais imigrantes? Cadê os ingleses, gente?

Eu só sei que quanto mais eu andava, mais o corredor esticava. Igual a última semana do mês antes do pagamento sair. E aí eu fui vendo aquele monte de estudantes, um monte de japoneses, vários brasileiros, todos alegres e com aquela cara de ‘não tô nem aí, porque não vou ser barrado’ que eu fiquei com mais medo ainda de ser barrado. Já pensou se houvesse uma cota por dia de vistos a serem negados pelo Home Office? Com toda aquela galera mais jovem e com cara de ricos na minha frente eu estava ferrado!

Aí eu tive uma ideia bem original: cuidei logo em disparar na frente deles, sair correndo pelo corredor a fora com a minha malinha de rodinha quebrada para chegar no guichê antes deles e garantir que eu ainda iria pegar os oficiais da imigração de bom humor. Essa é a minha primeira imagem do Heathrow: eu correndo no meio de japoneses, chineses, indianos, quase uma maratona de São Silvestre naqueles corredores imensos.

Quando cheguei na fila, o cartão de desembarque que eles distribuem no avião para ser prenchido e entregue na imigração já estava quase desmanchando de tão suada que estava a minha mão. Eu fiquei olhando o movimento, quase cronometrando quanto tempo cada um demorava para passar no crivo dos oficiais. Cronometrando e rezando para que quando chegasse na minha vez aquele povo não ficasse puxando assunto.

Esse aliás é o maior dilema de quem vem estudar no Reino Unido. Se a pessoa não fala inglês direito eles podem interpretar errado as suas respostas. Ou chamar alguém para traduzir o que, além de demorar ainda mais a agonia da espera, faz com que você já entre no país com aquele sentimento de que já começou dando despesa para a rainha, aquela sensação horrível de que a sua presença incomoda.
Mas daí se você fala inglês bem o pessoal da imigração em Londres pode se empolgar e começar a falar de futebol, de samba, de Pelé, de Cristo Redentor, de Copa, Floresta Amazônica e o escambau! E última coisa que se quer é bater papo demais e acaber entrando em alguma contradição que vá te custar um belo chá de cadeira ou até mesmo você ser enviado de volta ao Brasil.

Mas quando vi que era o tipo do ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’ eu relaxei e disse para mim mesmo: seja o que Deus quiser.

O engraçado é que eu estava tão preparado que acabaram não pedindo ou perguntando quase nada. Seguindo conselhos de amigos trouxe uma pasta, daquelas de elástico que a gente compra na loja de 1.99 no Brasil, abarrotada de xerox de tudo que era documento que a burocracia já inventou até hoje: extratos de banco, imposto de Renda, comprovante de endereço, comprovante de escola, carta de escola, carta de pai, passagem comprada de retorno ao Brasil. Tanto papel que a coitada da pasta já estava toda estufada no meio, igual pastel de feira. A única coisa que a funcionária do aeroporto perguntou, antes de me dar um carimbo e gritar ‘next’ chamando o próximo da fila foi onde eu iria ficar.

– Zona 2 – eu respondi calmamente, fazendo cara de que eu sabia perfeitamente onde era isso.

Ou seja: como passar na imigração em Londres ?

Venha preparado para qualquer pergunta. Se fizerem todas, você tira de letra e ri deles por acharem que iriam te pegar. Se não fizerem nenhuma pergunta, você ri de si mesmo – e comemora o fim da aflição no primeiro pub que encontrar pela frente.

E dica essencial para homens, mulheres e outras categorias difícil de definir: não viagem muito mal arrumados. Sapato limpinho e um blazer faz um bem danado. Porque a verdade que ninguém fala por educação e ou medo de represália é que país nenhum gosta de gente com cara de necessitado, de pobre. Cara de quem vai pedir ajuda aos cofres públicos ou nas esquinas da cidade. Eles querem gente que gasta dinheiro. E mesmo que você não tenha lá muito o que gastar e ainda tiver devendo a passagem em 10 parcelas no cartão de crédito … faça cara de quem vai aquecer a economia do país que você estiver visitando. Treine bastante esta performance porque ela vale para Inglaterra, Japão, Austrália ou Estados Unidos como se todos fossem parte do mesmo governo.

Já com o visto garantido, caminhei para a esteira rolante para pegar as minhas malas ainda meio no choque, meio sem saber se tinha mais interrogação porque, vai que aquela mulher era só um aquecimento da imigração? Londres é conhecida como sendo uma espécie de Big Brother, com sistema de câmeras em tudo que é lugar. E aeroporto não é diferente: tenho certeza que eles ficam vigiando – e bem – o comportamento das pessoas mesmo depois de passarem pela entrevista de entrada no país.

Há mais de 10 anos, quando migrei para a Inglaterra, só me senti na terra da rainha mesmo quando peguei as minhas malas na esteira rolante e entrei no Paddington Express. Agora era tarde para mudarem de ideia porque, no meio daquela lotação e daquela mistureba – Ops! Quis dizer: diversidade – eles não iriam me achar mesmo!

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