Golpe para uns, sinal de mudança para outros. A discussão sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff esquentou o debate não apenas no Brasil. Ao redor do mundo, a confirmação da retirada da ex-presidente após votação no Senado Nacional (61 votos a favor e 20 contra) na última quarta-feira foi amplamente noticiada. Não foi diferente no Reino Unido. Os principais canais de comunicação do país abordaram o tema com diferentes visões. E com bastante conteúdo. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Principal rede de comunicação do país, a BBC destacou que a ex-presidente ganhou uma batalha ao não ter sido penalizada com a inabilitação para exercício de funções públicas. A rede observou que Dilma perdeu o cargo por manipular o orçamento do país, colocando fim a “13 anos no poder do esquerdista Partido dos Trabalhadores”.

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Página da BBC destaca a queda de Dilma (Foto: Reprodução)

A emissora citou o trecho do discurso de despedida de Dilma, em que ela fala ser vítima de um golpe: “Eles condenaram uma pessoa inocente e promoveram um golpe parlamentar”. O site da emissora se aprofunda no conteúdo, trazendo materiais pontuais sobre a votação de quarta-feira, além de um material assinado pelo correspondente Daniel Gallas abordando a leitura histórica do ato.

O The Guardian fala do final do mandato da primeira mulher a presidir o país, dando bastante espaço ao dia histórico vivido no Brasil, inclusive com um vídeo explicando o motivo pelo qual a ex-presidente foi deposta. Segundo a publicação, Dilma será substituída pelo presidente interino – que tomou posse já na quarta – Michel Temer: “um patrício de centro-direito, que estava entre os líderes da conspiração contra sua ex-companheira de chapa”.

O jornal enfatiza ainda que Temer, “amplamente criticado por nomear um quadro de ministros brancos e homens”, se comprometeu a não concorrer às eleições presidenciais de 2018.

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The Guardian destaca votação do Senado Federal (Foto: Reprodução)

O Financial Times destacou que a votação histórica que retirou Dilma Rousseff e o PT do comando do país aconteceu num momento em que o Brasil luta contra a recessão. “Fogos de artifício foram ouvidos em São Paulo”, pontuou o jornal em reportagem publicada em seu site, acrescentando ainda que os dois lados envolvidos na questão chamavam um ao outro de “canalhas”.

The Independent traz um material especial falando sobre tudo que “você precisa saber sobre o impeachment da presidente Dilma”. Daily MailThe TimesThe Sun foram outros dos jornais britânicos que noticiaram a queda de Dilma Rousseff. Destaque para o Daily Mail, que cita os mais de 54 milhões de votos conquistados pela petista para ser reeleita presidente do país em 2014.

Discurso inflamado

Em discurso inflamado no Palácio da Alvorada, horas após o Senado aprovar seu impeachment, a ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou ter sido vítima de um golpe “misógino”, “homofóbico” e “racista”. Ela afirmou que não gostaria de estar na pele dos que “se julgam vencedores”. Dilma disse que continuará a lutar “incansavelmente por um Brasil melhor”. Ela convocou seus eleitores e as “forcas progressistas” a resistirem contra o que disse ser uma agenda de retrocessos sociais do novo governo do presidente Michel Temer, que seria contra as principais bandeiras de movimentos sociais. “Haverá contra eles a mais determinada oposição que um governo golpista pode sofrer”, prometeu Dilma.

Novo Presidente

Michel Temer, vice de Dilma empossado horas após a votação no Senado, afirmou que seu compromisso de “recolocar o Brasil nos trilhos”, fazer reformas como a da previdência e pediu a colaboração dos brasileiros para tirar o Brasil do que classificou como uma “grave crise”. No pronunciamento, Temer disse que assume o cargo definitivamente após “decisão democrática e transparente” do Congresso Nacional. “Tenho consciência do tamanho e do peso da responsabilidade que carrego nos ombros. E digo isso porque recebemos o país mergulhado em uma grave crise econômica: são quase 12 milhões de desempregados e mais de R$ 170 bilhões de déficit nas contas públicas. Meu compromisso é o de resgatar a força da nossa economia e recolocar o Brasil nos trilhos”, disse o presidente.

Pronunciamento no novo Presidente, Michel Temer (Foto: Beto Barata/PR)

Pronunciamento no novo Presidente, Michel Temer (Foto: Beto Barata/PR)

Temer defendeu ainda a modernização das leis trabalhistas e pregou mais uma vez a pacificação do país. Lembrou do reajuste do benefício do Bolsa Família como exemplo da ampliação dos programas sociais e afirmou que o sucesso dos Jogos Olímpicos resgatou a auto-estima dos brasileiros “perante todo o mundo”.

O presidente prometeu ainda dialogar com “todos os setores da sociedade” e disse que respeitará a independência entre os Três Poderes. “Presente e futuro nos desafiam. Não podemos olhar para frente, com os olhos do passado. Meu único interesse, e que encaro como questão de honra, é entregar ao meu sucessor um país reconciliado, pacificado e em ritmo de crescimento. um país que dá orgulho aos seus cidadãos. Ordem e progresso sempre caminham juntos. E com a certeza de que juntos, vamos fazer um Brasil muito melhor. Podem acreditar”, concluiu Temer.

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(Com informações da Agência Brasil e agências internacionais)