O Brexit promete não ser nada fácil. O presidente da British Bankers Association (BBA), Anthony Browne, assinou um artigo no jornal Oberver no último domingo dizendo que os principais bancos internacionais estão se preparando para deixar o Reino Unido no começo de 2017, sob o temor dos possíveis efeitos da saída do país da União Europeia (UE). De acordo com Browne, “o debate público e político atual está sendo levado para a direção errada”.

De acordo com Browne, as grandes instituições financeiras pretendem deixar o Reino Unido em 2017, mas as menores estão se preparando para se transferirem ainda no fim deste ano. Durante toda a campanha sobre o referendo do “Brexit”, a maioria dos bancos britânicos havia demonstrado preferência por permanecer na União Europeia.

Na semana passada, foi levantada a possibilidade de que o governo da primeira-ministra Theresa May tente obter da UE um tipo de acordo parcial, segundo o qual certas atividades econômicas poderiam permanecer ativas no bloco, mesmo se o país se afastar. Mas as repetidas declarações de May de que poderia adotar medidas internas, como o fim do limite à imigração, em troca da permanência de certos setores na economia da UE, preocupam as instituições financeiras.

A frieza com que May foi recebida na última cúpula de líderes europeus também comprovou que as negociações com o bloco não serão fáceis e que a UE fará uma série de imposições caso o Reino Unido deseje certas concessões.

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4 meses da decisão do Brexit

Apesar de completados quatro meses da decisão dos britânicos em deixar a União Europeia, ainda pouco se sabe sobre o que de fato irá acontecer. De acordo com o presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevedo, o futuro do Reino Unido dependerá em partes da forma como deixará o bloco.

Desde 23 de junho, muita coisa, no entanto, mudou no cenário político inglês. O então primeiro-ministro David Cameron, que defendia a permanência do país no bloco, renunciou ao cargo no dia seguinte à derrota de 51,9% dos votos contra 48,1%.

O interior da Inglaterra e o País de Gales apoiaram majoritariamente a saída da UE, enquanto Londres, Escócia e Irlanda do Norte optaram pela permanência. A Escócia, aliás, não pretende deixar o bloco e um referendo para deixar o Reino Unido deve ser lançado em breve.

Após a saída de Cameron, Theresa May assumiu o cargo. Até final de março de 2017 , a primeira-ministra britânica deve ativar o processo de saída da União Europeia.

Com agências internacionais