Dois bancos anunciaram nesta quarta-feira que permanecerão no Reino Unido enquanto aguardam os desdobramentos sobre o Brexit. O suíço UBS e o francês Credit Agricole deixaram claro que não tem intenção de sair do país antes da definição sobre o processo de saída da União Europeia. “Não estamos prevendo mudar nada no curto prazo e vamos ver onde é que a poeira assenta”, afirmou Axel Weber, presidente do UBS.

O responsável acrescentou que espera que o Brexit possa gerar ainda mais volatilidade nos mercados ao longo dos próximos meses e que as principais decisões deverão ser tomadas na fase final das negociações. De acordo com o Financial Times, o Credit Agricole renovou o contrato de aluguel de seus escritórios em Londres até 2025.

Na terça-feira, o Banco Central Europeu (BCE) admitiu estar sendo contactado por várias instituições financeiras no âmbito dos seus planos de contingência para preparar uma eventual saída ou a deslocalização de parte das suas actividades da City londrina. “Muitos bancos estão convocando entrevistas e reuniões para que possam identificar onde é que a nossa pressão e métodos diferem” dos britânicos, afirmou Sabine Lautenschlaeger, membro da comissão executiva do BCE.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que iniciará conversações formais para a saída do bloco em fins de março de 2017. Diante deste panorama, importantes banqueiros asseguraram no mês passo que poderiam começar a transferir pessoal para o exterior no próximo ano se não houver clareza sobre se o Reino Unido manterá o acesso ao mercado único europeu quando deixar a UE.

A saída da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de Junho, e as suas consequências nomeadamente no acesso do Reino Unido ao mercado único europeu, abriram a porta para que instituições financeiras e multinacionais repensem a sua presença em território britânico.

O processo de desvinculação – dois anos de negociações depois de accionado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa – pode sofrer atrasos, dada a batalha judicial em curso, depois de o Tribunal Superior ter dado razão a uma pretensão que defendia que cabe ao Parlamento e não ao Governo a última palavra na saída da UE. O Executivo recorreu desta sentença para a Suprema Corte, que deverá concluir o caso no início de dezembro.

Google pretende aumentar investimento em Londres

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Montagem com o prédio do Google ao lado da estação de Kings Cross

O Google anunciou que pretende aumentar o número de funcionários de quatro para sete mil pessoas em Londres. A garantia foi deixada na terça-feira, num comunicado da empresa detida pela Alphabet, que refere que esta expansão implicará acrescentar mais um edifício, com 10 andares, no seu campus de Kings Cross, no norte de Londres. “Estamos empenhados no Reino Unido e empolgados para prosseguirmos o nosso investimento no nosso novo campus de Kings Cross”, salientou Pichai.

 

Com agências internacionais