O governo escocês deve publicar na próxima semana a minuta de um projeto de lei para pedir um segundo plebiscito de independência do Reino Unido por causa do triunfo do “Brexit”, anunciou na última quinta-feira a ministra principal, Nicola Sturgeon. Em discurso pronunciado em Glasgow, onde foi realizado o congresso anual do Partido Nacionalista Escocês (SNP), Sturgeon opinou que é necessário que os escoceses reconsiderem esse assunto “antes que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE)”.

A líder independentista se dirigiu também à primeira-ministra britânica, a tory Theresa May, a quem advertiu que “se não for possível proteger nossos interesses dentro do Reino Unido, então a Escócia terá o direito a decidir, de novo, se quer adotar um caminho diferente”. Durante seu discurso, Sturgeon enfatizou que “fará o que for necessário” para “proteger os interesses da Escócia”.

A política nacionalista ressaltou que tem um dever político de defender a vontade expressada pelos escoceses no passado plebiscito europeu de 23 de junho, no qual 62% de escoceses votaram a favor de continuar dentro da UE. Por isso, confirmou que seu governo realizará na próxima semana um processo de consulta sobre a possibilidade de realizar um segundo plebiscito de independência da região do Reino Unido.

“Estou decidida que a Escócia tem que ter a capacidade de reconsiderar a questão da independência -e que faça isso antes que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE)- se isso for necessário para proteger os interesses de nossos país”, disse a líder do SNP. No primeiro plebiscito escocês de independência, convocado em 18 de setembro de 2014, os cidadãos rejeitaram se desvincular de Westminster.

O anúncio feito nesta quinta-feira por Sturgeon é recebido como um desafio a May depois que a “premier” britânica deu sinais de que poderia optar por um “Brexit duro” -sem acesso ao mercado único em prol do controle da imigração- nas futuras negociações entre Londres e Bruxelas.

A líder tory tem intenção de ativar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa -que iniciará de maneira formal o processo negociador de dois anos para sair do bloco comum- antes do término em março de 2017.

 

As informações são da agência EFE