O custo do Brexit para a economia do Reino Unido será de 58 bilhões de libras, de acordo com dados divulgados na última quarta-feira (24) na declaração financeira anual do governo.  Este é o primeiro grande anúncio econômico desde a votação do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 23 de junho, e mostra o impacto negativo esperado sobre o crescimento econômico futuro e as receitas do governo.

O governo britânico anunciou que precisará pedir um adicional de 122 bilhões de libras até abril de 2021, valor acima do orçamento feito em março. Cerca de metade dessa quantia será para cobrir os efeitos do Brexit, disse o diretor do Escritório para Responsabilidade Orçamentária do Governo britânico (OBR), Robert Chote, aos jornalitas na quarta-feira à tarde.

“A economia não desacelerou tão fortemente quanto alguns analistas temiam depois da votação do referendo para deixar a UE, mas desacelerou. As perspectivas são menores”, disse Chote.

“Esperamos que a taxa de crescimento trimestral do PIB continue a desacelerar no próximo ano, com a incerteza sobre o futuro do comércio do Reino Unido e o regime de transição que atrasa o investimento empresarial, além da queda da libra, que aperta o consumo real e impulsiona a inflação. Mas o crescimento continua positivo”, disse Chote.

Chote disse que o potencial de crescimento acumulado da economia será mais fraco do que o imaginado em março, em grande parte porque o menor investimento das empresas debilita o crescimento da produtividade, desacelerando o aprofundamento do capital.

As perspectivas para as finanças públicas também são mais fracas do que o esperado em março. O empréstimo já estava superando a previsão do OBR antes do referendo, disse Chote, por causa da fraca receita de imposto de renda e da maior despesa das autoridades locais.

“Olhando para a frente, o déficit de imposto de renda aumenta, já que a baixa revisão de nossa previsão de produtividade desacelera o crescimento dos ganhos médios”, disse ele. O impacto negativo do Brexit será sentido fortemente no próximo ano, com um aperto sobre o consumo real, já que a queda da libra desde o referendo impulsiona os preços de importação e inflação de preços ao consumidor.

No entanto, há um ponto positivo sobre o Brexit. “Esses dois efeitos negativos são parcialmente compensados por um aumento de curto prazo para o PIB a partir de volumes de comércio líquido mais fortes, já que a libra mais fraca incentiva as exportações e desencoraja as importações e o gasto reduzido do consumidor significa menos demanda por importaçõe” disse Chotes.

 

As informações são da Agência Xinhua