O anúncio do Facebook de abrir uma nova sede em Londres e criar 500 postos de trabalho é uma boa notícia para a capital britânica e reforça seu status de centro tecnológico internacional, apesar da perspectiva de Brexit. Em poucas semanas, Apple, Google e Facebook anunciaram investimentos no Reino Unido e em particular na capital, em muitos casos com significativas criações de emprego.

Estas decisões parecem afastar o temor da perda de atração econômica de Londres após o Brexit, a saída da União Europeia que poderá fechar as portas do mercado continental a companhias britânicas. O Facebook anunciou na segunda-feira a abertura de uma nova sede em Londres no ano que vem e a criação de 500 empregos, o que supõe um aumento de 50% de seu quadro de funcionários atual.

A nova sede ainda está sendo construída em Fitzrovia, um bairro do centro de Londres. “O Reino Unido é um dos melhores lugares para uma empresa tecnológica e parte importante da história do Facebook. Viemos a Londres em 2007 com um punhado de colaboradores até o final do ano que vem abriremos uma nova sede”, disse em um comunicado Nicola Mendelsohn, vice-presidente do Facebook para a Europa.

Para o prefeito da cidade, Sadiq Khan, citado no comunicado, a decisão do Facebook é uma “nova prova de que a força de Londres como centro tecnológico continua crescendo”.

Na semana passada a Google anunciou a construção de um grande edifício no centro da cidade que poderá contar com até 3.000 novos funcionários, um investimento total de 1 bilhão de libras (cerca de 1,7 bilhões de euros).

Esses anúncios confirmam o atrativo de Londres, que segundo um estudo recente do European Digital Forum é a melhor cidade europeia para as companhias tecnológicas graças à facilidade de acesso ao financiamento, à cultura empresarial e à presença de mão de obra qualificada. “Apesar dos temores relacionados ao Brexit, a cidade continua atraindo grandes talentos do mundo inteiro”, indica o relatório.

O Facebook afirmou que a maioria dos novos postos de trabalho em Londres serão para engenheiros muito qualificados e lembrou que decidiu desenvolver seu novo serviço Workplace, uma rede social para empresas, no Reino Unido. O grupo destaca que em seu quadro de funcionários em Londres estão representadas 65 nacionalidades entre engenheiros, desenvolvedores e funcionários dos setores comercial e de marketing.

“O vibrante cenário tecnológico londrino causa inveja em toda a Europa e o compromisso continuado do Facebook é mais um sinal de que Londres está aberta ao talento, à inovação e à atividade empresarial de todas as partes do mundo”, afirma o prefeito de Londres.

Em um discurso à patronal, a primeira-ministra britânica Theresa May assegurou que o país continuará acolhendo “os melhores e mais brilhantes (trabalhadores), podendo fazer isso levando a imigração a níveis aceitáveis”.

A campanha do Brexit foi centrada em grande parte em questões de imigração e May repetiu sua vontade de limitá-la, apesar de que seus sócios europeus terem lembrado que a liberdade de circulação é indispensável se o Reino Unido quiser continuar sendo um mercado único comunitário.

 

As informações são da Agência AFP