O Reino Unido votou na última semana para deixar a União Europeia. Mais de 17 milhões de britânicos escolheram em favor do “Leave”. As reações no país, tanto positivas quanto negativas, seguem fervilhando. Atos xenofóbicos tiveram um aumento instantâneo após a decisão, e a campanha em Londres por uma revisão do plebiscito segue em curso com uma petição que já reúne mais de quatro milhões de assinaturas. Em todos os âmbitos, o “medo do desconhecido” parece prevalecer.

O primeiro dia de reuniões no Parlamento Europeu para falar do assunto aconteceu em Bruxelas na última terça-feira e teve como destaque o bate-boca entre o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o líder do partido britânico Ukip, Nigel Farage. “Você estava lutando pela saída, o povo votou pela saída: Por que você está aqui?”, questionou Juncker. Quando teve acesso aos microfones, Farage rebateu dizendo que “nenhum de vocês teve um trabalho adequado durante a vida, trabalhou em negócios ou comércio ou mesmo criou um emprego”.

Coube ao presidente do Parlamento, Martin Schulz, acalmar os ânimos. “Sei que vocês estão agitados, mas vocês estão agindo como os membros do Ukip, então, por favor, não os imitem. Senhor Farage, você não pode dizer que ninguém aqui fez um trabalho decente”, discursou.

Apesar de todo mal-estar que o Brexit causou nos últimos dias, pode haver alguma reviravolta na decisão que foi tomada nas urnas no dia 23 de junho? 

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta quarta-feira que não vê “nenhuma maneira de reverter” a saída do Reino Unido da União Europeia e salientou que este é o momento de assumir a realidade. “Não vejo nenhuma maneira de reverter isto. O mundo já está a encarar as futuras relações (com o Reino Unido). Este não é um tempo para ilusões, mas sim viver a realidade”.

Um dia antes, no entanto, o primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou que o Reino Unido vai notificar a União Europeia (UE) sobre a decisão de sair do bloco quando o momento for oportuno. “Este é o nosso direito soberano de Membro da União Europeia”. A partir daí, algumas alternativas podem ser traçadas.

A primeira delas é simplesmente não deixar o bloco. Isso porque o Reino Unido precisa evocar o artigo 50 do Acordo de Lisboa, que dá o pontapé inicial para se desligar dos outros 27 países. Como o referendo não é compulsório, se o Reino Unido não der entrada na carta referente ao Artigo 50, poderia continuar a lidar com os países do bloco como se o referendo não tivesse acontecido.

Além disso, os parlamentares britânicos provavelmente terão que votar para confirmar a decisão do povo. De qualquer forma, seria um “tiro no pé” dos parlamentares não seguir a vontade das urnas, mas, em teoria, tudo pode acontecer.

O veto escocês também seria uma das alternativas para a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Isso porque, de acordo com um relatório divulgado pela Câmara dos Lordes em abril, os parlamentos da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales teria que aprovar a saída. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, já declarou sua insatisfação com o resultado das urnas, visto que em seu país a maioria dos votos, e também o Partido Nacional Escocês, prefere a permanência do país no bloco.

Mais duas opções, como a realização de um novo referendo e a concessão de direitos atrativos por parte da União Europeia para que o Reino Unido não evoque o Artigo 50 também são, em tese, alternativas. Uma petição no site do Parlamento britânico para convocar os britânicos de volta às urnas já reuniu mais de quatro milhões de assinaturas, e, segundo o site, “o Parlamento considera para um debate todas as petições que obtêm mais de 100 mil assinaturas”.

Enquanto nada é definido, o eLondres te pergunta: Qual seria a melhor decisão na sua opinião, seguir com o Brexit ou tentar reaver a decisão?

 

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