Ganhador de dois prêmios no Sundance 2013, o de júri na categoria drama e o de escolha do público, “Fruitvale Station” é baseado na história real de um jovem de 22 anos, Oscar Grant, brutalmente baleado pela polícia na estação de Fruitvale, Califórnia, em 2008. Interpretado pelo talentoso Michael Jordan (atenção! não é o jogador de basquete), da série de TV “The Wire”, pode-se dizer que o filme ganha intensidade justamente por conta dele.

Perguntado como foi o processo da escolha do elenco, o diretor Ryan Coogler disse que “os olhos é que contam a história. E os olhos de Michael são bem expressivos”.

Pessoalmente, penso que “Fruitvale Station” ressoa bem de perto com as produções mais populares do cinema atual brasileiro, de “Ônibus 174” a “Tropa de Elite”. Logo, arrisco perguntar a Ryan se ele acha que esta história poderia ter acontecido em qualquer parte do mundo. “Ah! Sim, com certeza. Para onde quer que eu leve este filme, seja na Suíça ou no Japão, pessoas me contam histórias reais parecidas com a de Oscar. Veja bem: ‘Fruitvale Station’ é simplesmente a história de um garoto. Ele tinha 22 anos quando foi assassinado e ele estava tentando estabelecer um elo entre a sua comunidade e como pai de família.”

Uma das marcas do Festival de Sundance ao longo de 30 anos é o investimento em novos talentos e em documentários que dificilmente entrariam no circuito comercial norte-americano. Embora “Fruitvale” não seja um documentário em si, mas apenas baseado em fatos reais, é nítida a constatação de que o trabalho de pesquisa de pré-produção assentou-se em extensas conversas com os personagens reais do drama de Oscar, como o depoimento de sua avó, que acabou mudando significativamente o roteiro, explica Ryan.

 E também no processo criativo, Ryan se deu conta de que “às vezes é difícil ver a floresta a partir das árvores”, e isso na verdade é o que caracteriza mais de perto uma produção independente cinematográfica, pois não existem produtores endinheirados que lhe pedem para justificar toda e qualquer escolha dentro do filme. Então, é necessário, para um bom roteiro, aprofundar-se, já que no caso de Oscar ele passava a maior parte do tempo sozinho.

 Para o fundador e presidente de Sundance, Robert Redford, na capa da Time como uma das pessoas mais influentes do planeta, “Contadores de histórias abrem a nossa cabeça: eles nos envolvem, nos provocam, nos inspiram e até nos unem”.

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