Moda em Londres: Tendências, tecnologia, necessidades e desejos da sociedade

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Hoje em dia quando dizemos que a coleção X foi inspirada na década Y conseguimos ter uma ideia bem aproximada de como foi aquele período, pois muitos de nós vivemos entre os anos de 1960 à 1990, tão explorados no cenário atual.

Porém eu me pergunto como será daqui 10, 20 anos. Será que o início do século XXI teve algo de inspirador na moda a ponto de ser revivido como foram as décadas de 1960 à 1990? De qualquer forma a moda surgiu das necessidades e desejos da sociedade e continuará sendo assim cada vez mais, sobretudo por conta da era tecnológica em que vivemos hoje.

Num breve resumo, o século XIV foi o ponto inicial da moda como a conhecemos hoje, com Luiz XIV, o rei Sol, introduzindo o conceito de luxo na França. Antes disso e ainda por um bom tempo o termo indumentária era utilizado para se referir as roupas, quando o estilo variava dependendo do grau social porém as mudanças eram muito lentas.

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De lá pra cá os acontecimentos na sociedade em geral vem ditando as mudanças e especialmente a rapidez com que acontecem. Depois da revolução industrial de 1850 a moda passou a dar grandes passos. Porém o ponto onde quero chegar teve mudanças realmente perceptíveis a partir da década de 1910. A primeira e segunda guerras mundiais influenciaram muito a forma como as mulheres passaram a se vestir, (apesar de ter afetado a moda de forma geral vamos nos ater aqui a moda feminina) pois com os homens em guerra as mulheres passaram a trabalhar, e isso trouxe, além de saias e vestidos de comprimentos mais curtos, as calças para nosso guarda roupas.

A partir disso os comprimentos começaram a encurtar cada vez mais. Nos anos 60 as saias e vestidos longos chegaram à mini saia, as calças chegaram aos shorts e as blusas chegaram aos comprimentos cropped. Da mesma forma os tecidos e detalhes também passaram por mudanças e desde então a liberdade na moda só tem aumentado a cade década.

 

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A primavera e o verão 2016 foram marcados por estampas florais,uma cartela de cores viva e tecidos fluídos, além da ênfase nos modelos longos marcando o corpo de forma feminina se pender para o apelativo.

Chegamos à 2016. De lá pra cá tivemos mini saias, voltamos para os vestidos longos num mood paz e amor dos anos 70, algumas queimaram sutiãs em praça pública e outras continuaram a usá-los, os decotes cresceram, as mangas encurtaram, as transparências e recortes colocaram o corpo num jogo de mostra e esconde e os tecidos com elastano colocaram curvas em evidência.

Hoje em dia quando a indústria lança as tendências que guiarão as coleções em todo o mundo geralmente temos de 3 a 4 temas para nos inspirar. A moda se transformou numa grande mistura de informação e isso é ótimo do ponto de vista democrático, porém um fato curioso tem me chamado a atenção. Nas duas últimas coleções o que mais tenho visto são comprimentos médios e longos, golas altas e mangas longas. Além disso bordados, estampas e tecidos rústicos, com pegada artesanal tem preenchido as araras das lojas desde o início do ano. Passamos a primavera e o verão assim, e da mesma forma tem sido o outono e promete ser o inverno, num certo tipo de busca em evitar a exposição do corpo (num paradoxo com a exposição da imagem nos meios de comunicação).

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O floral colorido em fundo escuro continua no outono e promete seguir para o inverno, mantendo as golas altas e comprimentos comportados.

Nos anos 60 se imaginava a moda dos anos 2000 com pessoas usando roupas metálicas em formatos minimalistas. Já passamos da primeira década desse século e vemos uma vontade cada vez mais forte retratada na moda de se voltar a uma vida mais simples e menos tecnológica, mais reservada apesar de todas as selfies e apps de vídeos em tempo real.

Se essa vontade de voltar atrás no modo de ser e viver está refletida aqui talvez realmente seja hora de rever alguns conceitos no modo de se levar a vida. O homem no passado anciava pela tecnologia, então chegou lá e descobriu que talvez ela não precise ser extrema. Podemos mesclar suas facilidades sem deixar de sermos humanos e agir como tal em sua essência, e a moda, como estudo de comportamento, nos dirá daqui um tempo como essa mistura chegou a um consenso!

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Texto de Taís Rolim
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Taís Rolim
Taís Rolim é formada em Gestão de Negócios da Moda. Trabalhou por 10 anos como estilista especializada em Jeanswear. Há 3 anos vive em Londres, onde atua como Cool Hunter da Trend2, empresa de pesquisa de moda para a indústria brasileira, e também como Visual Merchandiser. www.trend2.com.br @trend2_ | @tais_rolim