O projeto para a construção da primeira usina nuclear no Reino Unido em mais de 20 anos foi aprovado pelo governo britânico. A controversa central nuclear de Hinkley Point custará mais de 18 bilhões de libras e será operada pela empresa francesa EDF, com apoio financeiro da China. “Decidimos construir a primeira central nuclear uma geração depois”, explicou o ministro das Empresas e Energia, Greg Clark, em comunicado, indicando que medidas adicionais vão ser introduzidas no projeto inicial para permitir “melhorar a segurança”.

O anúncio acontece dois meses depois da primeira-ministra britânica, Theresa May, ter pedido uma revisão do projeto, que foi intermediado pelo seu antecessor, David Cameron. Na dúvida sobre o futuro do negócio, o adiamento da aprovação se transformou num ponto de atrito entre Londres e Pequim – na época, o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, chegou a dizer que os laços bilaterais estavam em “um ponto histórico crítico”.

À época, o diretor-executivo da Greenpeace parabenizou a suspensão dos planos e deixou novos avisos sobre os potenciais custos ambientais de se construir mais uma central nuclear no Reino Unido, onde já existem 15 reatores funcionais em sete centrais. “O Reino Unido tem de investir em fontes de energia renovável sustentáveis e seguras”, disse John Sauven. “Theresa May tem agora a oportunidade de parar este elefante branco radioativo”, afirmou há dois meses.

Críticos do acordo têm alertado que, para além dos custos crescentes deste projeto, financeiros mas sobretudo ambientais, há implicações nefastas em envolver governos estrangeiros na construção de centrais britânicas.

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Theresa May deu “sinal verde” para a Usina Nuclear

Após uma exaustiva revisão do projeto, “decidimos seguir adiante com a primeira central nuclear em uma geração”, disse Clark, reiterando que medidas adicionais serão introduzidas ao plano inicial a fim de “melhorar a segurança”. Clark anunciou que a construção de Hinkley Point – com conclusão prevista para 2025 – criará 26 mil empregos, o que significa “um enorme impulso para a economia” do país.

A EDF vai construir dois reatores, de terceira geração – que os projetistas consideram os mais avançados e seguros do mundo – no canal de Bristol, entre o sul do País de Gales e o sudoeste da Inglaterra. A estatal chinesa China General Nuclear Corporation financiará um terço do projeto. Os reatores cobrirão até 7% das necessidades energéticas do Reino Unido, ajudando o governo, em paralelo, a alcançar as suas metas de emissão de gases poluentes no combate às mudanças climáticas.

A central nuclear será a primeira a ser construída no Reino Unido desde 1995 e a primeira em todo o mundo desde o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011.

 

Com agências internacionais